- Fernanda Pujol
- há 19 horas
Algumas imagens capturam indivíduos.
Também algumas imagens imateriais provocam em indivíduos a necessidade de produzi-las, ainda que olhos nunca as tenham visto.
Por que são as imagens objeto de fascício humano?
Leonardo Da Vinci realizou desenhos de estudos anatômicos através da observação de cadáveres. Por muitos anos, ele buscou compreender aquilo que permanecia oculto à visão, como os movimentos e funções de músculos e órgãos. No final do século XV, talvez tenha se perguntado como acontecia de fato a concepção humana, ou talvez tenha chegado a um conhecimento anatômico suficiente para imaginar e reproduzir visualmente essa ideia.
O que acontece no interior do corpo quando penetrado durante o sexo?
Em que posição se encontram a vagina e o pênis e como se relacionam nesse momento?
Onde é produzido o esperma?
E a alma?
Para saber, Leonardo quis ver a imagem.
Ou, posto de outra forma, sem a imagem colocada no mundo diante dos olhos, Leonardo não conseguiria saber.
Há um desenho científico de Da Vinci, atualmente identificado como "Coito de um homem e uma mulher hemisseccionados", no qual dois corpos nus são representados em perfil, durante a penetração, em corte anatômico. A partir da anatomia renascentista, são detalhados não apenas a vagina e o pênis, mas também o útero, a bexiga, o reto, a coluna e vasos sanguíneos para buscar, através da imagem, compreender suas funções na concepção. Conforme as teorias médicas daquela região e período do mundo, o sêmen descia do cérebro do homem por um canal na coluna vertebral. Na mulher, haveria um ducto que ligaria a mama à região genital. Embora o próprio Leonardo fosse cético a isso, ele viu a necessidade de desenhar até mesmo a dúvida.

