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Anotações sobre a imagem I

Fernanda Pujol
12 de jul.
2 min de leitura

Algumas imagens capturam indivíduos.

Também algumas imagens imateriais provocam em indivíduos a necessidade de produzi-las, ainda que olhos nunca as tenham visto.

Por que são as imagens objeto de fascício humano?

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Leonardo Da Vinci realizou desenhos de estudos anatômicos através da observação de cadáveres. Por muitos anos, ele buscou compreender aquilo que permanecia oculto à visão, como os movimentos e funções de músculos e órgãos. No final do século XV, talvez tenha se perguntado como acontecia de fato a concepção humana, ou talvez tenha chegado a um conhecimento anatômico suficiente para imaginar e reproduzir visualmente essa ideia. 

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O que acontece no interior do corpo quando penetrado durante o sexo?

Em que posição se encontram a vagina e o pênis e como se relacionam nesse momento?

Onde é produzido o esperma?

E a alma?

 

Para saber, Leonardo quis ver a imagem.

Ou, posto de outra forma, sem a imagem colocada no mundo diante dos olhos, Leonardo não conseguiria saber.

 

Há um desenho científico de Da Vinci, atualmente identificado como "Coito de um homem e uma mulher hemisseccionados", no qual dois corpos nus são representados em perfil, durante a penetração, em corte anatômico. A partir da anatomia renascentista, são detalhados não apenas a vagina e o pênis, mas também o útero, a bexiga, o reto, a coluna e vasos sanguíneos para buscar, através da imagem, compreender suas funções na concepção. Conforme as teorias médicas daquela região e período do mundo, o sêmen descia do cérebro do homem por um canal na coluna vertebral. Na mulher, haveria um ducto que ligaria a mama à região genital. Embora o próprio Leonardo fosse cético a isso, ele viu a necessidade de desenhar até mesmo a dúvida.


Leonardo Da Vinci, Coition of a hemisected man and woman, 1492
Leonardo Da Vinci, Coition of a hemisected man and woman, 1492

 
 

© 2020 FERNANDA PUJOL

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